Estamos entrando na terceira fase da cerveja artesanal no Brasil
Observando o mercado de cervejas artesanais nos últimos anos, tenho a impressão de que estamos entrando em uma nova fase da categoria no Brasil.
Se olharmos para trás, é possível identificar três momentos bastante claros.
A primeira fase foi a descoberta.
Foi quando o consumidor brasileiro começou a perceber que cerveja poderia ser muito mais do que a lager tradicional. Surgiram estilos diferentes, novas cervejarias e uma curiosidade enorme por experimentar.
A segunda fase foi a experimentação.
Durante vários anos o mercado foi movido pela busca constante por novidade.
Novos estilos, novas receitas, novas combinações de ingredientes. Era comum ver lançamentos frequentes e uma grande disposição do consumidor em testar algo diferente.
Agora parece que estamos entrando em uma terceira fase: a consolidação.
O consumidor continua valorizando qualidade, mas começa a definir com mais clareza seus estilos preferidos.
Alguns estilos acabam se consolidando como presença obrigatória na prateleira — especialmente IPA.
Em alguns supermercados, não é raro ver IPAs representando 30% a 50% das vendas da seção de cervejas artesanais.
Quando olhamos o portfólio completo de uma cervejaria, o estilo costuma representar algo entre 10% e 20% do volume.
Ao mesmo tempo, estilos extremamente experimentais passaram a ter uma execução comercial mais difícil.
Isso não significa perda de relevância da cerveja artesanal.
Na verdade pode ser interpretado como um sinal de maturidade da categoria.
Depois de uma fase de descoberta e experimentação, o consumidor começa a buscar algo mais simples:
boas cervejas, estilos que ele já gosta e qualidade consistente.